Admissão de clientes para reanimação.

Em Terapia Intensiva, o prognóstico sobre as características das internações é de extrema importância para a melhoria do atendimento aos pacientes. Apesar da necessidade de estarmos preparados para todo o tipo de situação, o conhecimento dessas características pode ajudar no alcance da reabilitação dos internados. Não menos relevante, é o conhecimento de características sociodemográficas e epidemiológicas, pois elas auxiliam a definir as melhores estratégias para o atendimento.

Outro fator, que é uma realidade enfrentada não só no Brasil, mas no mundo, é a falta de leitos em número suficiente para atender a população, por isso os critérios de ocupação devem ser concisos. Elaborados por especialistas em Terapia Intensiva e levando em consideração a chance real de recuperação dos pacientes.

Devido à gravidade do estado de saúde do paciente internado na UTI, é de extrema necessidade que os profissionais possuam nível técnico-científico elevado. A sofisticação tecnológica e de equipamentos, tomada de decisões imediatas e complexidade de procedimentos, faz com que a equipe médica seja exigida sobremaneira. Para tanto, é imprescindível o desenvolvimento de técnicas, assim como o conhecimento do padrão e da frequência de eventos relacionados à saúde de uma população, a fim de conhecer as características gerais do comportamento de doenças e identificar os subgrupos populacionais mais vulneráveis.

Historicamente, a epidemiologia nasceu do interesse no estudo das grandes epidemias que, até os dias de hoje, mostram-se como uma grande ameaça à saúde e à vida humana. O estudo das grandes epidemias, como a que ora assola a humanidade, fez da epidemiologia uma ciência historicamente utilizada para reconhecer padrões e auxiliar as decisões a serem tomadas pelos médicos, especialmente na área de cuidados intensivos.

Na mesma linha de pensamento e corroborando este, o trabalho de Silva, et al, (2008), indica que conhecer o perfil do paciente de uma Unidade de Terapia Intensiva torna-se fundamental para aqueles que atuam no cuidado, como também para aqueles que exercem cargos de gerência dos serviços de saúde para proporcionar uma assistência com qualidade.

De forma que o foco deste estudo é o de descrever as características etiológicas que levam os pacientes a serem internados em uma UTI.

Materiais e métodos

O presente trabalho é uma revisão de literatura, de abordagem quantiqualitativa, que será feita através da coleta de artigos publicados nas seguintes bases de dados: Lilacs, Scielo e Medline. nacional e internacionalmente e indexados. Nosso objeto de estudo serão trabalhos de domínio público expostos na biblioteca virtual de saúde, no período de 2016 a 2019, relacionados à característica epidemiológica e causas que geram hospitalização de pacientes em unidade de terapia intensiva.

Após a busca dos artigos com os respectivos descritores: hospitalização, unidade de terapia intensiva e etiologia, serão selecionados estudos de acordo com os seguintes critérios: presença dos descritores escolhidos no título do trabalho ou inseridos no resumo, artigos na íntegra, disponíveis na internet, nos idiomas português ou inglês, de publicação entre 2016 a 2020.

A coleta de dados será realizada no período compreendido entre agosto e outubro deste ano por meio de classificação sistemática dos mesmos, sendo que os dados serão tratados através de estatística simples.

Discussão

A falta de leitos de terapia intensiva, evidenciada pela pandemia ocasionada pela COVID-19, é um problema antigo no Brasil e no mundo. Segundo estudo conduzido por Caldeira, et al, (2010) existe uma escassez mundial de leitos especializados em terapia intensiva necessários para atender a demanda de pacientes elegíveis, e este é um dos principais fatores que limitam as internações em UTI.

A queda do número de leitos encontra-se também associada ao aumento da expectativa dos pacientes em relação ao serviço prestado e à limitação de recursos, que, entre outros fatores, tem aumentado a pressão sobre os hospitais no sentido de uma gestão de leitos mais eficiente. O desenvolvimento tecnológico vem acrescentando novos meios de diagnósticos e terapêuticos, que diminuem a necessidade de internação hospitalar e encurtam os períodos de permanência levando a uma necessidade de conhecer e racionalizar a utilização dos leitos.

Todavia, apesar dessa tendência mundial, é necessário atentar para o fato de que precisamos do conhecimento epidemiológico, pois a tempestividade é de suma importância na sobrevida do paciente. Segundo estudo realizado em cinco hospitais em Israel, conduzido por Simchen, et al, (2004), os pesquisadores observaram que a sobrevivência foi maior entre os pacientes internados em tratamento intensivo durante os primeiros 3 dias após a deterioração de seu estado clínico.

Os atrasos na admissão, refletem a falta de leitos especializados em terapia intensiva, e atrasos no diagnóstico de patologias que demandam o aparato instalado na Unidade de Terapia Intensiva. Como mostra estudo em que apenas 31% de pacientes com sepse grave e choque séptico, foram diagnosticados como tal, pela equipe do departamento de emergência.

Portanto o dimensionamento de leitos em Terapia Intensiva é de suma importância, assim como o conhecimento das necessidades adstritas à população e etiologias. São utilizados dois métodos tradicionalmente para calcular o número de leitos hospitalares necessários para uma dada população, em determinado período de tempo. O primeiro é baseado em uma relação leito por habitante e o segundo adota uma fórmula/modelo em que a quantidade de leitos é função do número de internações esperadas, do tempo médio de permanência, considerando-se uma taxa de ocupação de 80-85%. Ambos os métodos apresentam vantagens e desvantagens.

Segundo Lentsck, Sato e Mathias (2019), entre 1998 e 2015, enquanto houve a percepção de que as taxas de internação por todas as causas no Brasil no SUS diminuíram 28,5%, em contraposição, as internações em UTI aumentaram 21,4%. Reforçando a ideia de que é imprescindível conhecer a situação local para estabelecer linhas de ação e fortalecimento da rede de atenção à saúde.

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