Еducação de surdos

A educação dos surdos sofreu mudanças profundas e expressivas ao longo da história, especialmente com a introdução da língua de sinais no processo de ensino. Os mestres de surdos, por sua vez, tiveram grande visibilidade e reconhecimento, pois seus métodos, desenvolvidos de forma quase autodidata, para o desenvolvimento de seu trabalho, foram registrados e utilizados como exemplo, alguns deles presentes ainda na atualidade.

Na Antiguidade, a educação dos surdos oscilava, em suas práticas, conforme a concepção de cada povo. Gregos e Romanos entendiam que os surdos não eram humanos, uma vez que a fala era uma ação decorrente do pensamento. Partindo do pressuposto de que, quem não pensa não é humano, os surdos não tinham direitos de herança, convívio social e, consequentemente, à escolarização, ao casamento e à inserção ao mercado de trabalho.

Na Idade Média, em decorrência à ideia religiosa de que o homem fora criado “à imagem de Deus”, a Igreja Católica foi agente principal da discriminação, não só aos surdos, mas a todos aqueles cujas características destoavam, da perfeita imagem, que eram postos à margem da sociedade e considerados como seres não humanos.


Nesse período, os nobres em seus castelos casavam-se entre si, no intuito de manterem suas heranças na própria família, evitando a partilha de suas riquezas. Tal prática acarretava o nascimento de muitos deficientes e, entre eles, inúmeros nascidos surdos. Incapazes de se confessar diante de um padre, suas almas não eram purificadas e estavam irremediavelmente condenadas.

Diante deste grande impasse, surgem as primeiras tentativas de educar os surdos, por meio dos conhecimentos desenvolvidos pelos monges que, reclusos, faziam voto de silêncio, para que não disseminassem entre os impuros, a sabedoria absorvida por meio das sagradas escrituras. Eles desenvolveram um sistema de comunicação gestual, que lhes permitia comunicarem-se entre seus pares e foram então, convidados pela igreja católica, para que instruíssem os surdos, por meio de gestos.

A igreja católica detinha o controle social da época, mas dependia integralmente daqueles que possuíam poder econômico, para sustentar-se. Ocupou-se, portanto, em educar os surdos nobres, garantindo a manutenção do fluxo familiar e, por conseguinte, o fluxo de poder econômico e intelectual. Detentores de um sistema de comunicação, eles poderiam se confessar, participar dos ritos e sacramentos, mantendo suas almas imortais e libertando-se da condenação eterna.

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